Leituras ideais para quem ama The Last of Us pelo lado humano, não pelos monstros

O que fez The Last of Us se tornar uma das histórias mais marcantes dos jogos e da TV nunca foram os infectados. O que realmente ficou foi a relação entre pessoas quebradas, tentando sobreviver emocionalmente em um mundo que já perdeu quase tudo. O medo maior não vem dos monstros, mas da solidão, das escolhas difíceis e da pergunta constante: até onde vale a pena continuar?

Na literatura, esse tipo de narrativa existe há muito tempo. São histórias em que o fim do mundo é apenas o pano de fundo para falar de afeto, culpa, proteção, esperança e perda. Livros que doem não pela ação, mas pelo silêncio entre uma cena e outra.

Se você ama The Last of Us pelo lado humano, estas leituras são ideais.

A Estrada, de Cormac McCarthy

Poucos livros traduzem tão bem o espírito de The Last of Us quanto A Estrada. A história acompanha um pai e um filho atravessando um mundo devastado, frio e hostil. Não há pressa, nem grandes explicações sobre o que causou o colapso da civilização. O foco está totalmente na relação entre os dois.

Cada diálogo é curto, cada gesto importa. O amor ali não é romântico nem idealizado — é bruto, cansado e profundamente necessário. O livro mostra que, quando tudo acaba, o que resta não é a luta contra monstros, mas o esforço diário de continuar sendo humano.

Publicado no Brasil por editoras consolidadas, é uma leitura pesada, silenciosa e inesquecível.

Estação Onze, de Emily St. John Mandel

Estação Onze aborda um mundo após uma pandemia, mas escolhe um caminho diferente: em vez de acompanhar apenas a queda da civilização, a narrativa se concentra no que sobreviveu emocionalmente. Arte, memória, conexões e pequenos gestos de humanidade ganham destaque.

O livro alterna linhas do tempo e personagens, mostrando como vidas aparentemente desconectadas se entrelaçam antes e depois do colapso. Não há vilões claros nem monstros constantes — o verdadeiro conflito é lidar com o que foi perdido.

Para quem se emocionou com os momentos mais íntimos de The Last of Us, essa leitura é quase um abraço melancólico.

Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago

Aqui, o apocalipse não vem em forma de criaturas, mas de uma epidemia que tira a visão das pessoas. Ensaio Sobre a Cegueira é menos sobre o desastre em si e mais sobre o que acontece com a ética, o cuidado e a empatia quando a sociedade perde seus limites.

O livro é desconfortável, cru e profundamente humano. As relações são testadas até o extremo, e o leitor percebe que o maior perigo nunca foi a cegueira — mas o abandono moral.

Publicado e amplamente vendido no Brasil, é uma leitura intensa para quem gosta de histórias que questionam até onde o ser humano aguenta antes de quebrar.

O Conto da Aia, de Margaret Atwood

Apesar de não ser uma narrativa pós-apocalíptica tradicional, O Conto da Aia compartilha algo essencial com The Last of Us: a sobrevivência emocional em um mundo brutal. A protagonista vive em uma sociedade opressora, onde o simples ato de lembrar quem ela era se torna uma forma de resistência.

O livro foca no impacto psicológico da perda de liberdade, na memória como refúgio e nas pequenas conexões humanas que mantêm alguém vivo por dentro. Não há monstros visíveis — apenas sistemas, pessoas e escolhas que corroem lentamente a humanidade.

É uma leitura forte, silenciosa e perturbadora, com edições consolidadas no Brasil.

Não Me Abandone Jamais, de Kazuo Ishiguro

Este é um livro que conversa diretamente com o coração de The Last of Us. A narrativa acompanha personagens que aceitam seu destino de forma quase passiva, enquanto o leitor percebe, aos poucos, o horror da situação em que vivem.

O mais devastador não é o que acontece, mas como tudo é tratado como normal. As relações, os afetos e os silêncios carregam uma tristeza profunda, parecida com a sensação constante de perda que acompanha Joel e Ellie.

Publicado no Brasil, é uma leitura delicada, melancólica e emocionalmente poderosa.

O Livro de Eli (a experiência literária que muitos buscam)

Embora o filme O Livro de Eli seja mais conhecido, muitos leitores que amam The Last of Us buscam na literatura experiências semelhantes: jornadas solitárias, proteção de algo precioso e personagens que seguem em frente por fé, amor ou propósito. Livros como A Estrada e Estação Onze entregam exatamente essa sensação.

Eles mostram que a sobrevivência não é apenas física — é emocional, simbólica e moral.

Por que essas histórias funcionam tão bem?

Essas leituras se conectam porque colocam o foco em:

• Relações humanas em ambientes hostis
• Amor como forma de resistência
• Silêncio, rotina e pequenos gestos
• Escolhas difíceis sem respostas fáceis
• A pergunta constante: o que ainda vale a pena salvar?

Assim como em The Last of Us, o mundo pode estar em ruínas — mas enquanto existir vínculo, ainda existe história.

Para quem essas leituras são ideais?

Esses livros são perfeitos para quem:

• Se emocionou mais com os diálogos do que com a ação
• Prefere histórias lentas e profundas
• Gosta de narrativas pós-apocalípticas intimistas
• Busca livros que deixam um nó no peito, não adrenalina

Histórias onde o ambiente é quase um personagem

08/01/26

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