Quando os jornais e tvs do Brasil noticiaram o generoso aumento que os congressistas se autoconcederam, imediatamente, me lembrei dos porcos. Não por apresentarem eles, na maioria das vezes, forma roliça. Nem por chafurdarem na lama, é claro. O que me veio à mente foi o livro de George Orwell, A Revolução dos Bichos.
O livro, que consagrou o autor, é uma sátira que mostra como a classe política vai se corrompendo e abandonando seus ideais e princípios (aqueles que os tinham,é claro) à medida que chegam ao poder. Os porcos (líderes políticos), começam reservando para si todo o leite e as maçãs, sob o argumento de que, devido à grande responsabilidade que cai sobre seus ombros, precisam de uma alimentação especial. Mais tarde, a cevada também passa a ser reservada para os porcos. A cada dia os privilégios que os porcos se auto concediam eram ampliados,até que certo dia "estabeleceu-se que, quando um porco e outro animal se encontrassem numa trilha, o outro animal cederia passagem".
Aos demais, restava-lhes trabalhar para garantir os privilégios que os nobres Porcos se auto concediam. Mas, é claro, sozinhos seria difícil manter o controle da situação. Para isso, contavam com os cachorros ferozes que recebiam treinamento especial para defender os donos do poder... E também com o Garganta, um porco bem falante, que estava sempre pronto para explicar para a massa, porque esses privilégios eram necessários.
Ao final, chega-se à triste conclusão que
TODOS OS ANIMAIS SÃO IGUAIS, MAS ALGUNS ANIMAIS SÃO MAIS IGUAIS DO QUE OS OUTROS.
E conclui com a seguintes palavras:
AS CRIATURAS DE FORA OLHAVAM DE UM PORCO PARA UM HOMEM, DE UM HOMEM PARA UM PORCO E DE UM PORCO PARA UM HOMEM OUTRA VEZ; MAS JÁ SE TORNARA IMPOSSÍVEL DISTINGUIR QUEM ERA HOMEM, QUEM ERA PORCO.
Da mesma forma, para nós, é impossível fazer essa distinção quando espiamos as obras dos nem tão nobres parlamentares, sempre muito empenhados em ampliar seus já enormes privilégios, com raras exceções.