Quando um ano se encaminha para o final, urgências inexplicáveis, como num turbilhão, tomam conta das pessoas.
Os primeiros a entrar em cena são as vassouras, os baldes, os panos, o sabão, as escovas e todo e qualquer objeto que sirva para remover as sujeiras. Deles é a maior e mais longa atuação. Telhados, muros, grades, paredes, forros, janelas, nada escapa à fúria do exército da limpeza. Mal aponta o novembro um batalhão formado por Marias (em sua maioria) se põe em ação. Quem pode pintar, pinta. Quem não pode, lava. Nada escapa às famosas faxinas-de-final-de-ano.
Da mesma forma, dentro de casa, móveis, tapetes, eletrodomésticos passam por limpeza e renovação geral. Ou, então, são impiedosamente trocados por novos. (Uma cafeteira nova, por que não? Ora, eu mereço!)
Terminada a etapa da limpeza começam as ornamentações de Natal. Pinheiros, guirlandas, bolas, estrelas, luzes, papais-noéis, anjos, laços de fita, velas... invadem a casa inteira. O cenário começa a tomar forma. Mais corridas às lojas. Sempre falta alguma coisa. E lá vai Maria... a cola quente acabou.
Mas, o mais difícil ainda está por vir: a lista dos presentes. Pai, mãe, filhos, vô, vó, afilhados, sobrinhos, amigos secretos... Recomeça a maratona de compras. E o pior, parece que todos tiveram a mesma idéia! Busca exaustiva por estacionamento, disputa de espaço palmo a palmo dentro das lojas. Filas nos caixas, no empacotamento... (Ai, esqueci o presentinho pra diarista!) E recomeça tudo outra vez.
Mas é preciso pensar agora nos comes e bebes. Forrar a geladeira. (Céus! ainda falta limpar a geladeira e o congelador!). E, com coragem e determinação, Maria enfrenta o super-mercado. Mais uma lista interminável de coisas para comprar. (Não esquecer o panetone, o espumante, o peru, e as bolachas de Natal.!) A lista é interminável, já o dinheiro, nem tanto...
Quando tudo parece pronto, subitamente, novo abalo sísmico: falta a roupa nova para o Natal ou para a virada do ano. Com a cor da sorte, de preferência. E lá vai Maria em nova investida ao centro comercial mais próximo. Bermuda pro pai, camisa pro filho, vestido pra filha, blusa pra mãe... (Nossa, as lojas já estão fechando!)
No caminho, com um pouco de sorte, ainda dá tempo de passar na florista e pegar um vaso da flor vermelha, símbolo do Natal. (Afinal, não dá pra deixar brecha pra cunhada sair falando, né?).
Finalmente, abraçada às flores, com dezenas de sacolas penduradas pelos braços, entra Maria ofegante em casa. Ufa!
Enfim... é Natal!